Aula 15 Sócrates

TEMA: Sócrates
Nossa aula foi:
1ºA, quinta-feira, 7 de maio de 2026.
1ºB, quinta-feira, 7 de maio de 2026.
1ºC, quinta-feira, 7 de maio de 2026. 
EIXO TEMÁTICO
 
HABILIDADE NA BNCC
(EM13CHS501) Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DO DC-GOEM
(GO-EMCHS501A) Identificar a etimologia dos termos moral e ética na história da filosofia, selecionando casos concretos que possam confirmar a necessidade de superação do mero senso moral para a reflexão ética propriamente dita.
Compreender a diferença entre Ética e Moral, analisando os conceitos de ética na filosofia clássica (Sócrates, Platão e Aristóteles).
Comparar os valores éticos da Grécia Clássica (focados na valorização da eudaimonia e do bem comum) com o estilo de vida contemporâneo pautado pela indústria cultural, pelo consumismo e pela cultura de massas.
 
CONTEÚDO
Ética e Moral
 
METODOLOGIA:
Os objetivos da aula são:
Compreender quem foi Sócrates e por que suas ideias chegaram até nós principalmente por meio de Platão e Xenofonte.
 
Identificar o sentido filosófico da frase “Só sei que nada sei” como reconhecimento da própria ignorância e ponto de partida da investigação.
 
Analisar a importância do diálogo público como prática de questionamento, reflexão e exame das opiniões.
 
Interpretar a relação entre o oráculo de Delfos, a noção de sabedoria e a crítica socrática aos que julgavam saber.
 
Desenvolver leitura filosófica, argumentação oral breve e registro escrito individual com base no texto.
 
Para tanto, nos serviremos da seguinte estrutura de aula:
Início da aula
O professor inicia apresentando os objetivos da aula no quadro e situando brevemente o tema: Sócrates como filósofo do diálogo, da pergunta e da crítica às falsas certezas. Em seguida, informa que o texto-base está na Moderna Plus Filosofia, página 191, e orienta os estudantes a observarem como o texto relaciona vida pública, sabedoria e investigação filosófica.
 
Como sensibilização inicial, o professor propõe oralmente a pergunta: “Reconhecer que não sabemos algo pode ser um sinal de fraqueza ou de sabedoria?”. Cada estudante pensa individualmente e registra uma resposta curta no caderno, com 2 ou 3 linhas, antes da leitura do texto.
 
O professor realiza uma leitura orientada do texto com pausas em trechos-chave, pedindo aos alunos que façam marcações individuais com três comandos no próprio material ou no caderno:
sublinhar uma informação sobre quem foi Sócrates;
circular uma frase que revele sua maneira de buscar o saber;
destacar um trecho que explique por que ele causava incômodo em Atenas.
 
Depois da leitura, aplica-se a metodologia ativa “pergunta-guia + resposta evidenciada”, em que cada aluno responde individualmente, por escrito, a perguntas interpretativas com base no texto.
 
Sugestão de perguntas no quadro:
Por que Sócrates não deixou escritos e como suas ideias chegaram até nós?
O que significa “Só sei que nada sei”?
Como o diálogo era usado por Sócrates para investigar o saber?
Por que sua atitude incomodava os poderosos?
O que a passagem sobre o oráculo de Delfos revela sobre a verdadeira sabedoria?
 
Na sequência, o professor propõe uma atividade individual de síntese filosófica: cada estudante completa o enunciado “Para Sócrates, ser sábio não é...” e “Para Sócrates, ser sábio é...”, usando elementos do texto. Essa etapa transforma a leitura em elaboração conceitual própria, mantendo a centralidade do estudante no processo.
 
Para concluir, o professor retoma oralmente as respostas dos alunos, sistematiza os conceitos de diálogo, ignorância reconhecida, investigação e sabedoria, e solicita um registro final no caderno: um parágrafo de 5 a 7 linhas explicando por que o diálogo público era essencial na filosofia socrática.
 
MATERIAL:
Moderna Plus Filosofia, página 191.
 
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA🎒
A avaliação pode ocorrer de forma processual e ao final da aula, considerando a participação na leitura orientada, a resposta às perguntas-guia e o parágrafo final individual. Essa forma de avaliação é adequada ao texto, pois verifica compreensão, interpretação e elaboração conceitual a partir de evidências.
 
Proposta de avaliação comum:
Produção individual de um parágrafo respondendo à questão: “Por que Sócrates acreditava que reconhecer a própria ignorância era o início da sabedoria?”
 
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA FLEXIBILIZADA🎒
A avaliação flexibilizada deve manter o mesmo objetivo de aprendizagem, mas com adaptação no acesso ao texto, no tipo de comando e na forma de resposta, sem descaracterizar o conteúdo filosófico. Esse tipo de adequação já aparece como padrão relevante em seus planejamentos anteriores para estudantes com déficit intelectual alfabetizados.
 
Proposta de avaliação flexibilizada:
Entregar ao estudante um pequeno roteiro com linguagem mais direta e trechos curtos do texto, seguido de três questões objetivas ou semiestruturadas:
 
Marque a alternativa correta: Sócrates ficou conhecido por
( ) escrever muitos livros
( ) fazer perguntas e conversar com as pessoas
( ) ensinar por meio de discursos longos
 
Complete a frase:
“Para Sócrates, reconhecer que não sabe tudo é um passo para buscar o .”
 
Copie do texto ou reescreva com suas palavras uma ideia que mostre por que algumas pessoas ficaram irritadas com Sócrates.
 
Apoios pedagógicos permitidos:
 
Texto com fonte ampliada e maior espaçamento.
 
Leitura compartilhada pelo professor ou leitura silenciosa com pausas.
 
Palavras-chave no quadro: “diálogo”, “sabedoria”, “ignorância”, “perguntas”, “verdade”.
 
Mais tempo para responder.
 
Possibilidade de resposta curta, com frases simples, sem prejuízo por extensão reduzida.
 
MATERIAL:
Sócrates: o diálogo público
1. Sócrates, que viveu no século V a.C., não deixou registros escritos, mas suas ideias foram divulgadas por Xenofonte e Platão, dois de seus discípulos. Platão escreveu vários diálogos nos quais Sócrates figurou como principal interlocutor. Já o autor de comédias Aristófanes o ridicularizou na peça As Nuvens, ao incluí-lo entre os sofistas — professores da arte de persuadir, tratados por Sócrates como mercenários.
2. Com base no pressuposto “Só sei que nada sei”, que consistia na sabedoria de reconhecer a própria ignorância, Sócrates iniciou a busca pelo saber. Para isso, costumava conversar com todas as pessoas — velhas ou moças, nobres ou escravizadas —, mas seus métodos de indagação provocaram os poderosos de seu tempo, ao se verem contestados por aquele hábil indagador. Desse modo, Sócrates adquiriu inimigos, alguns dos quais o levaram ao tribunal sob a acusação de não crer nos deuses da cidade e de corromper a juventude. Por essa razão, foi condenado à morte.
3. No diálogo de Platão Defesa de Sócrates, o filósofo acusado se lamenta das calúnias das quais foi vítima. Em certa passagem, ele se lembra de quando esteve em Delfos, no Templo de Apolo, local em que as pessoas consultavam o oráculo (resposta de divindades às perguntas feitas pelos devotos; também se refere ao local sagrado onde é feita a consulta) em busca de orientações sobre assuntos religiosos, políticos ou, ainda, sobre o futuro. Lá, seu amigo Querofonte, ao indagar à pítia (sacerdotisa do deus Apolo que, em Delfos, pronunciava os oráculos) se havia alguém mais sábio do que seu mestre Sócrates, ouviu uma resposta negativa. Surpreso, Sócrates resolveu investigar por si próprio quem se dizia sábio. Sua fala é assim relatada por Platão:
3.1 “Fui ter com um dos que passam por sábios, porquanto, se havia lugar, era ali que, para rebater o oráculo, mostraria ao deus: ‘Eis aqui um mais sábio que eu, quando tu disseste que eu o era!’ Submeti a exame essa pessoa — é escusado dizer o seu nome: era um dos políticos. Eis, atenienses, a impressão que me ficou do exame e da conversa que tive com ele; achei que ele passava por sábio aos olhos de muita gente, principalmente aos seus próprios, mas não o era. Meti-me, então, a explicar-lhe que supunha ser sábio, mas não o era. A consequência foi tornar-me odiado dele e de muitos dos circunstantes. Ao retirar-me, ia concluindo de mim para comigo: ‘Mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um nadinha mais sábio que ele exatamente em não supor que saiba o que não sei.’ Daí fui ter com outro, um dos que passam por ainda mais sábios, e tive a mesmíssima impressão; também ali me tornei odiado dele e de muitos outros” (PLATÃO. Defesa de Sócrates. São Paulo: Abril Cultural, 1972. p. 15. v. 2. (Coleção Os Pensadores).